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Published in: Sem categoria on outubro 6, 2013 at 7:00 pm  Deixe um comentário  

PRÁTICAS DE ACONSELHAMENTO BIOGRÁFICO

Biográfico & Counselling 

“O Counselling é um processo de interação entre duas pessoas, counsellor e cliente, cujo objetivo é aquele de habilitar o cliente a tomar uma decisão em relação a escolhas de caráter pessoal; é um conjunto de habilidades, atitudes e técnicas para “ajudar a pessoa a ajudar-se”. Partindo do pressuposto de que uma pessoa já tem em si os recursos necessários, propõe-se criar as condições para fazê-las emergir.”( Wikipidia).

 

“O Biográfico é uma revisão da própria biografia em busca das forças internas que são necessárias para tomar a vida nas mãos. O grande agente do processo é a própria pessoa,  que a partir do trabalho Biográfico adquire uma visão panorâmica da própria  vida,  entendendo melhor suas crises de desenvolvimento e  ampliando sua visão do todo. Através de um olhar objetivo para seu passado e um reconhecimento das oportunidades e otimização do seu momento presente, a pessoa pode olhar para seu futuro e estabelecer metas que lhe permitam, em liberdade, tomar seu destino nas próprias mãos. A proposta do Biográfico  é desenvolver no indivíduo, a partir da mobilização das forças do Eu, capacidades adormecidas, uma visão da sua própria essência e, conseqüentemente, confiança  na vida  frente aos desafios da  época em que vivemos.”(Edna Andrade)  

O Counselling Biográfico une estas duas práticas através dos ensinamentos da Antroposofia que considera a biografia humana uma fonte inesgotável de forças favoráveis ao auto desenvolvimento e à cura.  Consciência de si ampliada, foco nos sentimentos e estímulos à vontade, este é o tecer do processo terapêutico que torna o cliente ativo e criativo em relação às suas questões.

O atendimento de pessoas com enfoque na interface do processo biográfico com o counselling é um impulso de Cristina D’Agostino e Edna Andrade que unindo suas experiências e estudos de longa data criaram esta abordagem que tem sido transmitida em alguns dos grupos da Formação Biográfica do Brasil e que foi apresentada à comunidade internacional de profissionais que trabalham com a Biografia Humana e com o Counselling  na  Worldwide Biography Conference de 2010 que ocorreu no Emerson College na Inglaterra.

 

Edna Andrade (https://ednandrade.wordpress.com )é co-pioneira do impulso biográfico do Brasil e Cristina D’Agostino é biographical counsellor na Blackthorn Medical Centre  www.blackthornmedicalcentre.nhs.uk  e foi docente do Biographical  Counselling Course  da Inglaterra.

Published in: Sem categoria on agosto 11, 2013 at 6:38 pm  Deixe um comentário  

A Semana Santa

Jornada meditativa por Edna Andrade

 A Semana Santa nos oferece uma das mais poéticas e terapêuticas imagens para o desenvolvimento humano, sobre a qual podemos meditar e na qual encontramos estímulos para o aprimoramento do nosso caráter  

Quais são as leis de desenvolvimento humano que se evidenciam nos acontecimentos da Semana Santa?

 A semana como unidade de tempo tem sua origem no Gênesis onde encontramos, do ponto de vista da tradição esotérica a descrição da criação do mundo em sete dias. Os dias da semana receberam seus nomes dos sete planetas que, na visão dos povos ancestrais regiam a ordem do universo e impulsionavam o desenvolvimento do ser humano e de todas as coisas.

“Façam-se luzeiros no firmamento dos céus para separar o dia da noite; sirvam eles de sinais e marquem o tempo, os dias e os anos; resplandeçam no firmamento dos céus para iluminar a terra” 

“Faça-se o homem à nossa imagem e semelhança e que ele reine sobre toda a terra” (1)

No estudo das leis que regem a biografia humana a influência das forças planetárias torna-se visível no desenvolvimento de um indivíduo, na passagem da puberdade para a adolescência. Nesta fase ocorre o amadurecimento da vida emocional. Do ponto de vista das leis biográficas, isto significa que na adolescência a alma humana, ao mesmo tempo que torna-se refém dos instintos inicia o seu processo de emancipação orientando-se por aspirações de liberdade e aprimoramento pessoal. Os 21 anos é considerado como o marco deste desabrochar da vida anímica própria sendo comemorado como um segundo nascimento, o que inicia uma etapa de humanização do indivíduo que vai culminar na autoconsciência plena, aos 42 anos. Nesta etapa o indivíduo pode intensificar a consciência de si na medida em que educa e coloca sob sua liderança os potenciais associados às qualidades planetárias.

No ciclo de lendas do Graal que reúne as mais belas sagas medievais de desenvolvimento humano, os sete planetas são citados por seus nomes originais no momento em terminam as privações do heroi Parsifal :

“Zval, Almustri, Almaret, Samsi, Alligafir, Aklkiter e Alkamer

 Saturno, Jupiter, Marte, Sol, Vênus, Mercúrio e Lua

“Eles são os esteios do firmamento, pois com seu movimento retrógado impedem que sua rotação seja demasiada rápida. Tudo aquilo que está contido na trajetória dos planetas e iluminados por sua luz estará ao teu alcance. Tuas penas se desvanecerão . Mas, evita os excessos pois o Graal e sua força miraculosa rejeitam as pessoas sem autenticidade.”

“Parsifal rejubilou-se com tal notícia. Tão feliz ficou que as lágrimas – essa água viva que brota do coração – lhe afloraram aos olhos ” (3)

Entretanto, embora todas as qualidades  planetárias encontrem-se potencialmente presentes no firmamento da alma humana, uma se destaca, caracterizando um determinado tipo humano

Esta qualidade desperta por volta dos 12 anos e se apresenta como a força de liderança típica daquele indivíduo.  A abordagem de desenvolvimento humano orientada pela antroposofia  estuda os sete tipos humanos fundamentados nesta sabedoria antiga e a dinâmica que se estabelece na relação de cada um destes tipos, com o mundo.

Algumas das características dos Sete Tipos Anímicos:

Saturnino

É o tipo responsável, autoconsciente,  pesquisador  nato,  orientado por princípios. Encara tudo com seriedade e profundidade e busca até a exaustão a essência e  verdade das coisas.  A sua vida interior pode tornar–se tão rica e intensa que ele tende a negligenciar o contato com o mundo externo e a tornar-se enfático e sisudo. As forças saturninas  são necessárias quando se trata de desacelerar os processos anímicos desenfreados e são consideradas  forças de resguardo da vida interna da alma.

Lunar

É o tipo intelectual, mentalmente ativo que se destaca pela memória e acúmulo de conhecimento, que gosta de contribuir com o bem estar do ambiente e que valoriza os laços familiares mais do que todos os outros.  Sua tendência a elaborar teorias faz com que muitas vezes perca o pé na realidade tornando-o uma pessoa facilmente influenciável e sujeita a devaneios. As forças lunares são necessárias para a preservação da  saúde e  para sustentar  a vitalidade anímica imprescindível para o aprendizado .

Jupiteriano

É o tipo dominante, sensato, benévolo, o lider nato que tem visão global e gosta de ordenar o caos . Tende ao formalismo, ao perfeccionismo, à imponência e a guardar  uma certa distância dos outros. As forças jupiterianas são forças anímicas que se tornam atuantes nos processos de ordenação de pensamentos e sentimentos. São essencialmente configurativas e se tornam necessárias na busca de justiça e organização do mundo.

Mercurial

É o tipo amável, dinâmico, bem humorado, espontâneo, que tem um pensamento bastante associativo e  grande capacidade de adaptação.  Sua tendência a se deixar levar pelos impulsos, improvisar  e a ficar no muro podem entretanto, caotizar o ambiente. As forças mercuriais possuem o poder de associar as diferenças e colocar em fluxo os processos que estão enrijecidos e estagnados sendo necessárias em todos os processos de mediação.

Marciano

É o tipo agressivo, pragmático,  realista, que se posiciona e fala o que sente, indo direto ao ponto.  Tem grande capacidade de atuar em embates e vencer as adversidades. Tende a ser belicoso e a desencadear conflitos pois através deles tem uma vivência mais concreta de si próprio. As forças marcianas  são necessárias em processos  de transformação e reformulação que exijam  coragem, decisão e coesão.

Venusiano

É o tipo estético, caloroso, querido, aquele  que costuma levar em consideração os sentimentos dos outros  e tem inclinação para a arte e a beleza. Tende a exagerar nos sentimentos,  perder a objetividade e emitir julgamentos baseados em simpatias em antipatias correndo o risco de seduzir ou se deixar seduzir facilmente. As forças venusianas são forças de empatia e compaixão que precisam estar presentes em processos onde se tornam  necessárias forças humanitárias.

Solar

É o tipo radiante, cordial, positivo que consegue se apropriar e integrar todas as demais qualidades colocando-as a serviço da sua essência e do seu ideal. É um tipo especial e raro!  As forças solares são as forças morais, éticas, altruístas e são necessárias em processos de integração e hamonização quando torna-se imperativo ir além das versões e pontos de vistas individualistas para criar conexão com uma dimensão espiritual da existência humana.

Os acontecimentos da Semana Santa 

A Semana Santa começa no domingo de Ramos e vai até o Sábado de Aleluia. No Domingo da Ressurreição, denominado Domingo de Páscoa (do hebraico Pessach = passagem) é o primeiro dia da passagem para o Novo Sol que será a Terra vivificada pelo Eu do Cristo.        

Os acontecimentos da Semana Santa compõem uma via sacra que mostra como o Cristo humanizou cada uma das suas qualidades anímicas e colocou-as a serviço do seu Eu.

Domingo de Ramos

 

Master of the Monogram AH 1500

No primeiro dia da Semana Santa, Jesus Cristo entra na cidade santa de Jerusalém, montado em um burrinho branco. Com brados de “Hosana” o povo o saúda com ramos de palmeiras. Cristo atravessa em silêncio a vibração popular. A força que emana dele reascende no povo a antiga clarividência, vivenciada nas festividades em homenagem ao sol. Na antiguidade, a palmeira era considerada o símbolo do sol natural.  Entrar em Jerusalém montado no burrinho, tinha para o Cristo, o sentido de deixar clara a transição da antiga exaltação visionária desencadeada pelos elementos externos da natureza, para uma atitude interiorizada, fruto da presença de espírito, do Sol interior na alma individualizada. Internamente o Cristo sabe que aquele entusiasmo logo passará. É como o entusiasmo natural que logo se transfere para outra novidade, para outro acontecimento externo.

Segunda-feira Santa – Dia da Lua

A purificação do Templo 1650 – Jacob Joardaens – Louvre 288 X 436 cms

Betfagé era uma aldeia cercada por figueiras consideradas por seus moradores, sagradas. Fora de lá que Cristo, no domingo de Ramos, mandara Pedro e João trazer o burrinho, também considerado um animal sagrado. Ali cultivava-se uma antiga forma de clarividência, ou seja, praticava-se “o sentar-se sob a figueira”, bem como uma série de exercícios físicos e contemplativos através dos quais se atingia um estado de extase.

Na manhã de segunda feira, ao retomar de Betânia à Jerusalém com seus discípulos, Cristo se aproxima da figueira e pronuncia a sentença: “Para todo o sempre, ninguém mais comerá destes figos”. Isto significava que, no dia seguinte a árvore estaria seca. Chegara o tempo em que o ser humano deveria trilhar um caminho espiritual fundamentado na autoconsciência, no livre arbítrio e na liberdade individual. Com a condenação da figueira, Cristo quiz cessar o antigo dom lunar das visões de êxtase.

Chegando mais tarde ao Templo que fervilhava de atividades comerciais, Cristo expulsou os vendedores devolvendo ao Templo sua condição de lugar sagrado e, aos peregrinos que chegavam de todos os lados para as cerimônias de Páscoa, a consciência de que aquela era uma casa de Deus.

 

Terça-feira Santa – Dia de Marte

Michelangelo –  afresco da Capela Sistina Roma 

Jesus volta a Jerusalém trazendo as oferendas para o ritual que antecediam a festa pascal.

No Templo, enquanto o povo o ouvia, seus adversários o abordam com questões que são verdadeiras armadilhas, para fazê-lo cair em contradição.
Cristo responde a cada uma das questões com parábolas que caem como verdadeiros golpes de espada sobre os sacerdotes e escribas que nelas se reconhecem como protagonistas. A cada parábola, Cristo reafirma a natureza espiritual do seu Eu, assumindo seu lugar próprio e colocando os adversários no devido lugar. Sem temor, pergunta por pergunta, a identidade espiritual do Cristo, vai se revelando. Sua força se intensifica. É uma luta intensa, travada em palavras e em intenções. De um lado, a intenção dos questionadores que, por desconfiarem dele queriam desmacará-lo. De outro lado, a intenção poderosa do seu Eu manifestando-se em toda a sua inteireza .

Neste dia, Cristo mostra que a maior das lutas é a batalha travada no interior, entre o medo e a vontade de colocar o Eu no mundo. Nesta luta interna, conquistamos os dons de Marte: a autenticidade e a coragem para enfrentar as adversidades.

 

Quarta-feira Santa – Dia de Mercúrio

Donatello – Madonna di casa Pazzi Staaliche Museen – Berlin

Ao entardecer daquele dia em Betânia, Jesus se reuniu com o seu círculo mais intimo na casa de Simão. Aproxima-se do Cristo, Maria Madalena que após ungir os seus pés com um óleo precioso, os enxuga com seus próprios cabelos. O gesto de Madalena provoca uma reação de crítica nos presentes e desencadeia a revolta que se acumulava na alma inquieta de Judas. Argumentando contra o desperdício em detrimento dos necessitados, Judas sai para se encontrar com os sumo-sacerdotes e concretizar a traição que o levará mais tarde ao suicídio.

É a segunda vez que Madalena unge os pés do Cristo. Na primeira unção ele dissera aos presentes: “Calem-se. Ela muito amou e muito lhe será perdoado”.  Em relação a Judas, Cristo compreende que ele não desenvolveu forças internas para ordenar as suas impressões exteriores. A agitação interna de Judas flui para o mundo como revolta. Maria Madalena, entretanto, interiorizara as forças de amor que antes a arrastavam para o mundano. Estas forças anímicas fluem então para o mundo como devoção.  Ambos são tipos mercuriais sempre em contínua atividade externa, sempre mobilizando tudo ao seu redor.

Marta, a irmã de Maria Madalena, é a terceira pessoa com qualidades mercuriais, também presente à ceia. Está sempre fazendo algo pelos outros, sempre na lida da casa. “Marta, Marta, andas muito inquieta e te preocupas com muitas coisas. Maria escolheu a boa parte, que não lhe será tirada.”(3)

 Na quarta feira santa, Cristo acolhe na sua alma as forças mercuriais metamorfoseadas em paz interior, devoção e transformadas em capacidade de cura.

Quinta feira – Dia de Jupiter

Cai a noite de Pessach. Lá fora reina o silêncio enquanto todos estão em casa reunidos para a ceia do cordeiro pascal.

No convento da Ordem dos Esseus, no Monte Sion, lugar antigo e sagrado, reunem-se o Cristo e os Doze Apóstolos para também celebrarem o Pessach.

Antes da ceia, Jesus realiza o ato de amor humilde e singelo que para sempre irá tocar o coração dos cristãos: o Lava Pés. Ajoelha-se e lava os pés de cada um dos seus apóstolos, num gesto que é a síntese de todos os seus ensinamentos: “amai-vos uns aos outros”.

Segue-se a ceia e Cristo tomando pão e vinho, os oferece aos discípulos: “Tomai, pois este é meu corpo e este é meu sangue.”

Com este ato sacramental, Cristo intensifica o esforço volitivo da alma humana que quer acolher em si a sua essência espiritual. Ele traz a interiorização do Eu até o nível  da aceitação do destino, até a comunhão com o espiritual, no intimo do ser.

Sexta feira – Dia de Venus

Ecce Homo – Caravaggio1600  = Palazzo Rosso, Genoa, Italy

Na madrugada de quinta para sexta-feira, Cristo, ao ser identificado pelo beijo traiçoeiro de Judas enquanto orava no Getsemane, é arrastado e preso.

Ironizado, flagelado e coroado com espinhos, carrega sua cruz sobre as costas e é crucificado na colina de Gólgota.

 Tendo se tornado suficientemente firme na sua alma, por possuir algo imensamente sagrado, suporta todos os sofrimentos e dores e carrega seu próprio corpo em direção à morte; une-se à morte e deixa como legado a mensagem de que a morte não extingue a vida do Eu.

Sábado de Aleluia – Dia de Saturno

 

Caspar David FriedrichO altar de Tetschen (1807)  115 × 110.5 cm. Gemäldegalerie, Dresden –  Alemanha

“Temos à volta da Terra uma espécie de reflexo da luz do Cristo. O que aqui reflete-se como Luz do Cristo, é o que o próprio Cristo denominou de Espírito Santo. A partir do evento de Gólgota a Terra começa a criar a sua volta um anel espiritual que mais tarde se tornará uma espécie de planeta ao seu redor. Estamos diante do ponto de partida de um Novo Sol em formação.”(4)

  

Domingo de Páscoa – Dia do Sol

Matthias Grünewald 1483-1528 –  Painel do Altar de Isenheimer – Unterlinden Museum –  Colmar – França

O espírito de Cristo penetra na Terra criando nela um novo centro luminoso. 

O Ente nascido do cosmos
Oh, vulto luminoso!
Fortalecido pelo Sol no poder da Lua.
Tu és doado pelo ressoar criador de Marte
E a vibração de Mercúrio que move os membros.
Ilumina-te a sabedoria radiante de Júpiter
E a beleza de Vênus, portadora do amor.
E a interioridade espiritual de Saturno antiga dos mundos
Te consagre à existência espacial e ao desenvolvimento temporal   (5)

 

Referências

(1) Gênesis 14

(2)Parsifal de  Wolfram von Eschenbach  livro XV – Editora Antroposófica

(3)Lucas 10.41

(4) Rudolf Steiner

(5)Rudolf Steiner

O Evangelho de João – Rudolf Steiner – Editora Antropósofica

 Os Acontecimentos da Semana Santa – Emil Bock – Editora Nova Jornal

Seven Soul Types de  Max Stibbe – Hawthorn Press

Não permitida a reprodução.

Published in: Sem categoria on abril 23, 2011 at 1:14 pm  Comments (1)  

Counselling Biográfico – Biografia e Carma

As etapas do trabalho biográfico do ponto de vista dos corpos suprasensíveis

Primeira etapa: Biográfico: a visão panorâmica da própria vida

Ao passar pôr um processo biográfico a pessoa revê passo a passo, a trajetória de sua vida, revivendo através dos fatos,  os impulsos, sentimentos e anseios que permearam as suas experiências, desde a lembrança mais remota até o  momento atual.

Ela tem, ao final desta retrospectiva, uma visão panorâmica de sua própria vida.

Esta vivência é diferente da mera recordação.

O processo biográfico é de tal natureza que a pessoa enxerga o caminho que percorreu estender-se diante de seu pensar como se ela estivessse dentro de uma paisagem. E ela contempla a sua biografia da mesma maneira como, através da visão comum, olha-se um quadro. A visão panorâmica da própria vida situa-se no campo da  vivência imaginativa através da qual as nossas recordações se organizam em uma única imagem.

A dinâmica dos corpos supra sensíveis na restrospectiva biográfica

A visão quadrimembrada do ser humano e a visão do conjunto de leis que regem a biografia humana são os principais legados deixados pela ciência espiritual de Rudolf Steiner.

De um lado temos o ser humano como uma entidade composta por quatro envólucros sendo eles: corpo físico, corpo etérico, corpo astral e Eu. Por outro lado, temos a biografia humana regida pela leis de vida e morte.

O corpo físico pode ser contemplado a olho nu porque é um corpo espacial, tridimensional, tem peso, volume, é palpável, é substancia condensada.

O corpo etérico, primeiro envólucro supra sensível da entidade humana permeia o físico e só tem um caráter espacial quando habita o físico mas se estende além dos limites do físico, ele é o corpo das forças vitais, forças plásticas de movimento, ciclos, transformações e metamorfoses que ocorrem no tempo.

Para enxergar mais concretamente esta diferença podemos observar como um cristal se diferencia de uma planta.

Os fatos biográficos ocorrem no plano da existência física, do espaço e tempo:  “isto ocorreu de fato”, “eu passei por isso”; “eu estava lá”.

Através da retrospectiva biográfica ordenamos cronologicamente os fatos e as vivências dos eventos biográficos que se encontram amontoados na memória. As memórias biográficas por sua vez são forças vivas  condensadas no arcabouço da alma e se mostram à percepção consciente como um painel de quadros coloridos por diferentes tipos de sentimentos.

Simultâneamente durante a retrospectica biográfica, esta ordenação das memórias intensifica a consciência do potencial das nossas forças vitais como portadoras de recursos infinitos para as nossas transformações e crescimento pessoal. Entretanto nos deparamos também com o fato de que uma parte destas forças pode estar parcialmente estagnada ou poluída por vivências biográficas hostis ao nosso desenvolvimento.

Ao fazer uma retrospectiva biográfica e construir a visão panorâmica ocorre uma intensificação da autoconsciência através da experiência de “quem sou eu” e isto significa dizer que no trabalho biográfico alcançamos a percepção imaginativa do nosso corpo etérico. Isto resulta que no final da retrospectiva biográfica atingimos um estado de consciência em que percebemos o dinamismo da própria existência, ou seja nos vivenciamos como  um ser em evolução e transformação contínua.

Esta experiência originada no íntimo ativa as forças do pensar, sentir e querer fazendo brotar entusiasmo e possibilidades em relação ao futuro, ocasionando uma euforia anímica – a pessoa geralmente sente-se ao final de um Biográfico, motivada e reintegrada à vida .

Este sentimento  de euforia que é como um novo florescer é uma lei inerente de processos de síntese. Consciência é luz! Assim como o faz a planta, sintetizamos luz, nos apropriamos da nossa essência! Esta intensificação da autoconsciência é o primeiro passo para o auto conhecimento constante e consequentemente para um autodesenvolvimento consistente.

Segunda etapa :  Counselling

Na continuidade do processo biográfico  estamos no âmbito que genericamente podemos chamar de objetivação da biografia e da prática do Counselling.

No Counselling colocamos a questão biográfica em foco, estabelecemos contrapontos e conexões com fatos do passado ampliando assim a consciência do momento atual para poder  mergulhar nas dores e emancipar as forças evolutivas que levam ao futuro.

Nesta etapa a visão panorâmica se torna o pano de fundo e cada fato ou cena da biografia nos dá a dimensão do todo da biografia como se encerrasse e representasse  toda a biografia.

Em termos do caminho de autodesenvolvimento neste ponto tratamos da dor, da raiva, da mágoa – da vida intima dos pensamentos, dos sentimentos e das intenções.

Este estado de confrontação consigo mesmo requer muito acolhimento terapêutico intensificando-se a relação de confiança que foi estabelecida na primeira etapa entre o cliente e o Aconselhador Biográfico.

Busca-se juntos atingir o cerne da dor para emancipar as forças anímicas que estão prisioneiras de determinadas circunstâncias do passado principalmente dos eventos ocorridos durante a fase pedagógica do desenvolvimento físico que se estende do nascimento aos 21 anos.

Situações de abandono, de medo, de rejeição, de não reconhecimento, de falta de oportunidades, predisposições congênitas, disposições adquiridas  pelo tipo de educação  contribuem para distúrbios de comportamento que intensificam as crises de desenvolvimento  biográfico.

A dor no leva para o núcleo da vida anímica, sede da dinâmica do  corpo astral, com as suas tensões, contrastes,  disposições para a harmonia ou para a desarmonia.

Nesta dimensão do trabalho vamos lidar com as forças internas que se encontram em oposição, vamos conhecer a verdadeira índole da pessoa, as suas sombras, a natureza de sua vida dos instintos. Vamos esbarrar com os limites individuais . Até onde a sua vida anímica consegue ser permeada e ordenada pela consciência para que possa amadurecer e florescer.

Do ponto de vista do processo biográfico podemos considerar o corpo astral como o envólucro das emoções e o corpo etérico como o envólucro das forças vitais.

Abordando o assunto de forma generalizada, quando a exacerbação das forças do corpo astral provocam muito desgaste das forças do corpo etérico, nos deparamos com alterações de algumas funções do organismo que provocam desde desvitalização e stress até perturbações orgânicas simples ou sérios distúrbios de saúde .

E quando estas forças astrais predominam sobre a  consciência é comum nos depararmos  com uma estagnação no desenvolvimento biográfico e com doenças anímicas de origem física como depressões, síndromes,  neurotização do comportamento, eclosão de uma psicose. etc.

Nem todas as pessoas encontram-se aptas a fazer um biográfico.

Do ponto de vista da terapêutica médica antroposófica alguém que se encontra em condições precárias de sáude precisa ser apoiado no trabalho biográfico por um processo de recuperação, desintoxicação ou sustentação de suas forças vitais e psíquicas através de medicamentos e outras terapias tais como a massagem, tratamentos externos, arte terapia, psicoterapia ou tratamento psiquiátrico .

Artes Plásticas como linguagem

A arte faz a ponte entre a biografia externa e a biografia interna. Ela torna-se mediadora entre a realidade dos fatos e a realidade subjetiva.

Aquarela, desenho, modelagem são algumas das formas de investigação da vida interior e um meio eficiente para expressar a dinâmica das forças da alma . Através da arte o pensar desenvolve seu potencial imaginativo enquanto que o sentir se abre para a inspiração de novas realidades e o querer desenvolve a intuição que capta os novos caminhos, os novos passos que precisam ser dados na vida.

Na primeira etapa, durante a retrospectiva biográfica, a pintura é o meio mais apropriado para acompanhar o relato. Os quadros sintetizam em imagens os temas e sentimentos de cada fase da vida. A atividade da pintura consegue acompanhar o Eu até regiões etéricas da alma onde vivem os sonhos, as ideias em um estado semiconsciente ou totalmente inconsciente. Uma imagem vale por dezenas de palavras e sintetiza muitos pensamentos, sentimentos e intenções.

Na etapa da objetivação da biografia, dos meios artísticos disponíveis, a modelagem de cenas da biografia  traz para a realidade objetiva o que antes vivia na realidade subjetiva.

Ao modelar e observar as cenas modeladas a pessoa se vê de fora, a partir de uma consciência ampliada, com objetividade: “este sou eu!”. Podendo inferir, transformar a cena e mobilizar forças de transformação alinhadas com a sua consciência, ordenando desta forma o seu destino. As cenas em argila atuam poderosamente, plasmando novos contéudos na consciência.

Terceira etapa : O trabalho com o Carma

A visão panorâmica da biografia e a confrontação com o drama pessoal ampliam a visão imaginativa e atinge-se o âmbito inspirativo no qual a pessoa torna-se capaz de lidar com questões cármicas e com a vivência íntima do que lhe é inato, do que lhe pertence de fato e que tem estado com ela desde sempre, do sentimento de ser diferente de todos os demais, da compreensão mais aguda do seu destino pessoal.

Nesta terceira etapa estamos no âmbito do Carma, das forças invisíveis que podem ajudar ou caotizar a vida. Alcançamos o cerne da própria dor, a dor original que está pôr traz das crises de desenvolvimento como se a dor fosse um estado de consciência de si que o ser humano só consegue vivenciar sofrendo.

O psiquiatra holandês Bernard Livegoed que publicou na Holanda em 1976, o primeiro livro sobre as Fases da Vida (2) dizia que o trabalho biográfico era a porta para a pesquisa do carma porque ajudava a perceber a atuação das forças evolutivas na própria biografia.

Nesta etapa ao mesmo tempo em que se trabalha em si aprende-se a enxergar as forças que potencialmente podem ser mudadas e as forças que precisam ser aceitas ou carregadas.

Isto significa que a investigação espiritual dos fatos deve considerar forças que estão mais profundamente embutidas no ser humano e a poesia é a arte que pode melhor expressar este estado de alma e de maturidade.

“Se não trouxeres à tona o que vive dentro de ti,

O que vive dentro te matará

Se trouxeres á tona o que vive dentro de ti

O que vive dentro de ti te salvará” (3)

Nesta etapa do trabalho biográfico a pessoa amplia o diálogo interno com a vida externa.

Às representações do mundo exterior, ela acrescenta continuamente suas próprias reflexões, a relação íntima com o seu próprio ser que tem um passado e um futuro pelo qual sente-se responsável. Ela intensifica a atenção em relação aos sinais que a vida lhe manda, tanto internos quantos externos. Ocorre uma transformação do sentimento inicial de entusiasmo pelas descobertas a respeito de si,  para um sentimento de que a  felicidade tem sua origem na própria dor existencial e deste ponto de vista a dor pode ser considerada  um estado de consciência e não apenas um estado físico e emocional. Consciência ampliada da condição humana, da solidão do indivíduo, das questões do seu destino pessoal. É a convivência diária com um sentimento que traz confiança e poder para o cotidiano: Eu sou o responsável pelo meu destino.

Este estágio de desenvolvimento pessoal é melhor descrito nas palavras do poeta Juan Ramon Jiménez com as quais finalizo esta abordagem:

“Eu estava pensando na grandeza do que é ser humano e me encontrei no divino”

 Texto de Edna Andrade

Não permitido a reprodução

https://ednandrade.wordpress.com

2-B.Livegoeed: Fases da Vida Ed. Antroposófica 

4-Atribuído ao  Evangelho Apócrifo de São Tomé

Published in: Sem categoria on março 15, 2011 at 10:28 pm  Deixe um comentário  
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A atuação da força micaélica na biografia individual

Na Biografia individual Micael pode ser considerado uma força arquetípica que impulsiona o nosso amadurecimento anímico: é a coragem de viver, coragem de ser e coragem de reconhecer a essência divina em nós.

Micael nos acompanha ao longo da biografia, preparando o caminho para o adentrar na alma do Eu Superior. Em cada fase da vida, Micael escolhe um semblante diferente e atua de forma distinta.

Fase dos 21 aos 28 anos

O impulso micaélico está presente no calor das emoções, despertando no íntimo a vontade de viver.

Nos mobilizamos em direção ao mundo externo, e impulsionados pelas sensações; nos identificamos com o que está fora de nós, nos apaixonamos a ponto de perder a identidade.

Buscamos um lugar no mundo, buscamos reconhecimento. Assumimos papéis, e apesar de termos uma tremenda opinião própria, os nossos pensamentos são, em grande parte inspirações do mundo exterior.

Os altos e baixos da vida emocional, típicos desta fase representam o dragão que temos que dominar. O Eu é um equilibrista na corda bamba das nossas simpatias e antipatias; amamos sem medidas e odiamos sem discernimento. Voamos às alturas quando recebemos um elogio e despencamos para o fundo do poço ao ouvir uma crítica.

Abrir mão de um ponto de vista significa abrir mão de si mesmo.

O Eu vagueia nas sensações que o mundo externo desencadeia na vida interna. Éxperimentamos o mundo, e atravessamos a fase da vida em que a força  micaélica reside nesta enorme abertura que temos para o mundo. É o prazer de viver, de estarmos ainda, intimamente, ligados à Criação. Somos parte do Todo e o céu é o nosso limite.

 Fase dos 28 a 35 anos

Começa a luzir na alma o pensar próprio. Aprendeu-se muito através dos altos e baixos da juventude. A relação com o mundo externo é principalmente através da atividade intelectual autônoma – a espada é a força intelectual.

Agora sim, sou eu que produzo meus próprios pensamentos, sou eu quem pensa o mundo. Disseca-se a rosa para entender sua perfeição, porém relega-se a beleza, perfume e essência da flor.

A partir dos 28 anos, a vida é planejada, as ações são estratégicas e os objetivos definidos. O lugar no mundo precisa ser agora consolidado: família, profissão, bens materiais – o que importa são  resultados!

Aos 33 anos, alcançamos vitoriosos a  curva da vitalidade. Entretanto, transposto este Arco do Triunfo, uma significativa batalha vem pela frente..

A “queda” no mundo material –  própria desta fase – fez com que internamente algo morresse. Valores antigos foram postos de lado, muitos sentimentos foram ignorados, ideais de adolescência ficaram enterrados nas profundezas da alma. A vivência desta morte pode, neste momento, tornar-se insuportável.

O sentimento de estar enterrado vivo no casamento, no emprego, nos compromissos é um parceiro constante. É comum nesta época, perdas afetivas significativas ou doenças agudas. O sentir encontra-se enclausurado pelo pensar dirigido tão só ao mundo físico sensorial.

Este tipo de pensar racional, representa o dragão, do qual temos que nos libertar. Ansiamos por liberdade e o mundo frio de nosso pensar abstrato e lógico só poderá ser preenchido pelo calor dos sentimentos qu, de um lado se manifestam–se como impotência, desalento, mas por outro lado mostram-se  como solidariedade, renovação da confiança, e da esperança. Dentro da alma intelectual individualizada pode desabrochar pouco a pouco uma qualidade de pensar amplo, vivo e criativo: a força micaélica liberta o pensar da região da cabeça levando-o de volta ao coração.

Temos a chance de renascer – não sem ter lutado muito.

Fase dos 35 aos 42 anos

Aqui, Micael começa a viver, como força ativa, dentro da alma pensante. Começamos a enxergar o essencial no mundo que nos rodeia e o pensar factual, conquistado nos bancos duros da universidade, começa  a se tornar, conhecimento espiritual. Começamos a vislumbrar que cultivando este pensar criativo seremos orientados a respeito do caminho individual a ser percorrido. 

 As percepções espirituais a respeito de nós mesmos e das coisas que na juventude eram inspiradas das alturas são reencontradas pelo livre querer, na vida interior.  Adquirimos discernimento, aprendemos a ler nas entrelinhas, aprendemos com os erros. Começamos a dar ouvido à voz interna:

O que isso tem a ver comigo? É isso que eu quero para mim? É este marido, esta mulher, este trabalho, esta qualidade de vida?

 Tudo o que anteriormente nos dava sustentação tais como, reconhecimento, status, segurança material e afetiva, começa a diminuir de importância . Almejamos a autonomia de ser, queremos fazer nossas próprias escolhas. É insuportável viver como um autômato, preso na rotina da vida.

 A espada é a capacidade de agir conscientemente. Entretanto, lidamos diariamente com o medo do desconhecido, da solidão, das mudanças, medo dos outros. E sofremos com as contradições entre o que nos tornamos, isto é, as caricaturas  que encenamos, e o que em essência, somos.

A crise da meia idade é uma crise de autenticidade e faça chuva ou faça sol a nossa sombra nos acompanha. Nesta sombra vive o dragão que guarda o limiar do nosso auto desenvolvimento e nos cobra diariamente o que temos que transformar em nós.  A força micaélica nesta fase é a coragem que convoca o coração como órgão da vida, a ser fiel a si mesmo.

Esta é uma fase na qual nos tornamos bastante seletivos. Selecionamos pessoas, situações. Corremos o risco de cair no egocentrismo. Se deixarmos de reconhecer  o amor e apreciar a beleza e a verdade que existem no mundo, a vida interior corre o risco de resssecar. Tornamo-nos pessoas endurecidas, descrentes e preconceituosas. Se mantivermos acesa a chama da veneração pelo ainda desconhecido, as forças vitais  revivem continuamente dentro da alma como pensamentos lúcidos e forças luminosas, de modo que podemos nos referir ao nosso Eu interno como a um Sol Interior. Autoconsciência é isso.

A etapa do desenvolvimento espiritual 

Dos 42 aos 63 anos

Com a renascença uma nova era se iniciou. E a humanidade como um todo cruzou o limiar para um novo estado de consciência. As vivências e desafios descritas na fase anterior tornaram-se epidêmicas.

Em meio a tantas imagens diárias de um futuro ameaçador, anseia-se por uma direção espiritual que renove o entusiasmo cotidiano pela existência. Atualmente assistimos a um verdadeiro renascimento pela busca espiritual.

A partir dos 42 anos o conhecimento que adquirimos ao longo da vida e que com todos os nossos esforços, dores e alegrias, se tornou conhecimento próprio, pode ser de novo, universalizado.

A sabedoria humana que é patrimônio de todo indivíduo, pode ser uma ponte com o mundo espiritual. Podemos nos tornar co-responsáveis com Micael pela evolução da humanidade. Isto nos dá a dimensão da grandeza espiritual desta época da vida.

Simultaneamente aos cuidados que se fazem necessários com a saúde, qualquer esforço no sentido do auto desenvolvimento, contribui diretamente com o desenvolvimento da humanidade.

Isto significa que não podemos abrir mão do próprio desenvolvimento mesmo porque, as questões internas, nesta etapa tornam-se ainda mais essenciais: qual é o sentido da minha vida, qual é especificamente a minha missão, porque encontro-me nesta situação?

 Entre os passos para um desenvolvimento saudável nesta etapa da vida ,podemos considerar:

Entre 42 e 49 anos

O pensar pode se tornar um órgão que enxerga a atuação das forças criativas no mundo.

Desenvolvemos uma visão global e sensibilidade para o que é preciso ser feito. Podemos retomar valores que se revestem de um novo significado e desenterrar ideais que dão à vida uma nova razão de ser.

Entre 49 e 56 anos

O sentir pode nos transmitir aquela certeza interior que não é abalada por nada. Se ouvirmos atentamente a voz do coração, desenvolveremos um sentido de fazer o que é essencial e não nos desgastarrmos querendo fazer tudo. Dispomos de um projeto de vida pessoal. Em qualquer situação encontramos o lugar próprio.

A partir de 56 anos

Podemos transformar o nosso querer em intuição. Isto não significa um sentimento vago sobre algo, mas sim conseguir perceber claramente onde realmente, eu faço falta. É a força interior que me faz reconhecer nas questões mais corriqueiras que eu sou um instrumento de elevadas forças espirituais.

Esta etapa da biografia abarca a essência da força micaélica.

A missão de Micael é ajudar o ser humano a reconhecer e confirmar a atuação de seres espirituais na sua vida. O preenchimento do destino humano é ao final da vida o renascimento espiritual de seu ser.

E a comemoração anual de Micael é a celebração do ideal mais antigo da evolução humana: o anseio pela fraternidade e pelo amor que vivem no íntimo de cada ser humano. 

Texto de Edna Andrade

Terapeuta artistica e aconselhadora biográfica,

Elaborado para as comemorações das épocas do ano realizadas na Artemisia Centro de Desenvolvimento Humano)
Não permitido a reprodução

Published in: Sem categoria on setembro 27, 2010 at 12:14 am  Deixe um comentário  

Micael : o espírito de uma nova época

Micael é um nome da tradição judaico-cristã, Micha-El, que significa:  

“O Semblante de Deus” ou “quem é como Deus”.

Na tradição religiosa de algumas regiões do Brasil, Micael é o São Jorge conhecido também como São Miguel, o santo guerreiro que domina o Dragão da maldade. 

Na literatura brasileira,  Riobaldo o jagunço do Grande Sertão Veredas   é o representante sertanejo desta luta micaélica contra o mal.

“Reza é que sara loucura. No geral. Isso é salvação da alma… Muita religião, seu moço! Eu cá não perco ocasião de religião. Aproveito de todas. Bebo água de todo rio… Uma só, para mim é pouco, talvez não me chegue.” João Guimarães Rosa

Na tradição religiosa da Europa o culto a Micael foi representado nos afrescos que coloriam as grossas paredes de algumas igrejas românicas do século X . Em uma época em que as artes plásticas expressavam o auge da alma da fé e a verdade estava associada com o sentimento, o homem medieval ainda conseguia abarcar no íntimo a influência de forças suprasensoriais no seu desenvolvimento pessoal. 

Afresco de Notre de Puy – França

A tradição do culto ao Arcanjo Micael é ainda mais antiga. Nos ensinamentos da sabedoria antiga os nossos ancestrais designavam como “micaélico” o esforço anímico de penetrar na realidade e perceber a atuação de leis  cósmicas. E o conhecimento destas leis que eles percebiam refletidas na natureza era acolhido na alma como inspiração do mundo espiritual. 

Na tradição esotérica os Arcanjos eram denominado de seres da luz. Na Gênesis da cultura egípcia esta tradição é relatada poeticamente:

No início era o RA, a consciência cósmica. E Ela,  ao acordar chamou a Si. 

Ao se empenhar em resgatar conscientemente a sabedoria dos antigos mistérios, Rudolf Steiner  considerou o ser humano como um ser espiritual entre outros seres espirituais. No seu livro Ciência Oculta, ele refere-se aos Arcanjos como as hierarquias espirituais que, durante a Cosmogênese acordaram ao enxergar o seu reflexo luminoso no exterior. A essência destas hierarquias  era a própria luz  e elas se tornaram ao longo da evolução, guardiãs da inteligência cósmica assumindo a missão de proteger o amor divino contido nesta inteligência que criou  e transformou tudo em sabedoria para o bem de todos .  Esta  liderança, ou Espírito da Época era refletida em determinados períodos  culturais do desenvolvimento da humanidade fazendo fluir aos homens orientações espirituais para a sua evolução.

Segundo a tradição religiosa estes períodos de influência ocorriam em ciclos de 300 a 350 anos : 

Micael: de 550a.C. a 200a.C.

Orifiel: de 200a.C a 150d.C.

Anael: de 150 a 550d.C.

Zacariel: de 550 a 800d.C.

Rafael: de 850 a 1190d.C.

Samael: de 1190 a 1510d.C.

Gabriel: de 1510 a 1879d.C.

Micael: de 1879 até os nossos dias

Levando em conta a  noção de tempo e espaço da consciência moderna estas datas devem ser tomadas como marcos aproximados, Quando observamos estas grandes passagens do tempo na evolução humana não podemos esquecer que o processo de desenvolvimento humano é lento e gradual embora dinâmico.

A nova época  Micaélica que teve início em 1879 marca o início de um novo estado de consciência quando as manifestações culturais e as descobertas da ciência natural  mostram que o ser humano deixou de sentir que recebia as idéias de “cima”  mas sim que estas se originavam  de uma atividade do próprio pensar. E o que antes era para ele inspiração do mundo espiritual, começou a se tornar propriedade de sua alma. A partir desta época começa a luzir nas almas humanas uma nova presença de espírito: sou eu quem produzo os pensamentos que vivem em mim! O pensar é a essência da minha alma! 

No início do século XX Micael ressurge nas pinturas de Wassily Kandinsky, o pai da arte moderna. Em 1909 ele escolhe a luta de Micael contra o dragão como tema de sua pintura e de todo o seu empenho na renovação  da espiritualidade na arte. Kandinsky fazia parte do grupo de russos que freqüentavam as palestras de Rudolf Steiner em Munique nas quais este falava de um limiar de uma nova espiritualidade.

O  Micael dos quadros de Kandinsky representava o triunfo do espírito sobre a matéria.

Wassily Kandisnky       São George 1911

Pintura em vidro 19 X 19

Lenbachhaus      Munique

Wassily Kandinsky       Improvisation 12 (Rider)” 1910                oil on canvas   97,5х106,5 sm
Munich, Stadtische Galerie in Lenbach, Germany

Ao longo do século XX Micael vai encontrar sua expressão na Antroposofia através da pedagogia waldorf e nos movimentos de apoio ao desenvolvimento de adultos.

Em inúmeras palestras Rudolf Steiner refere-se a esta nova regência de Micael que se iniciou em 1879, como uma transformação de sua missão espiritual .                  

Na sua nova atuação Micael tem a  tarefa  de libertar continuamente os pensamentos da região da cabeça onde eles tendem a se cristalizar e os trazer para o coração onde eles se revitalizam e se tornam criatividade.

Sua presença torna-se viva no intimo daqueles que percebem na luta por manter o pensar vivo, uma orientação a respeito dos caminhos certos a serem percorridos no seu auto desenvolvimento.   

Não permitido a reprodução                

Referëncias bibliográficas

Ciência Oculta – Rudolf Steiner – Editora Antroposófica

Passeios através da história – Rudolf Lantz – Antroposófica

Citação do Riobaldo colhida no artigo de Marilda Milanesi: O encontro com o mal no caminho de desenvolvimento do homem moderno, publicado no Boletim 59 da Sociedade Antroposófica

Published in: Sem categoria on setembro 27, 2010 at 12:05 am  Comments (2)  

Counselling Biográfico: Vamos falar sobre a vida

VAMOS FALAR SOBRE A VIDA?

A questão da espiritualidade, o que promove saúde, onde encontramos internamente as forças de sustentação da coragem ou as forças que desenvolvem a resistência?

Este trabalho está alinhado com uma nova linha que pesquisa as forças de sustentação da saúde física e psíquica do indivíduo conhecida como Salutogênese

Salus salutis do latim significa  saúde

Gênese – do grego significa origem

Esta abordagem foi iniciada por Aaron Antonoksky (1923-1994) em Israel.

Quando desenvolvia critérios para avaliar a saúde de um  grupo de pessoas ele descobriu que entre os mais saudáveis estavam sobreviventes do Holocausto e surgiu nele a pergunta : porque pessoas mesmo em situação de extrema demanda conseguem se manter com o espírito alerta, a alma motivada, conseguem se recuperar rapidamente dos embates e  sustentam o stress?

A pesquisa de Aaron Antonovsky saiu do campo acadêmico e está  encontrando enorme aceitação nos âmbitos espiritual, político, social e econômico.

No projeto “Vamos falar sobre a vida” este primeiro módulo é dedicado a olhar para si, tomando como ponto de partida a pergunta.

Que caminho  eu percorri até o  momento atual em relação ao meu desenvolvimento? O que eu consegui transformar e o que ficou estagnado?

A biografia ou escrita da vida nos mostra nossa origem, nossos valores, princípios,  a educação que recebemos e como tudo isto se reflete nos nossos padrões de comportamento, nas nossas capacidades e nos nossos anseios.

Partindo das leis que regem a biografia humana escolhemos o espelhamento dos 21 anos para fazer este reconhecimento de si.

Carl Gustav Jung chama de individuação este período que começa nos 21 anos (marco do início da conquista do lugar no mundo) e vai até a maturidade da personalidade aos 42 anos.

Entramos por nossa conta e risco no mundo, as experiências do mundo vão se transformando em conteúdo interno próprio. Durante o processo vai ocorrendo uma síntese da herança dos valores do passado com a aquisição de valores próprios desenvolvidos na luta pela vida.Durante todo este percurso as questões de auto desenvolvimento estão sempre presentes. No final deste processo, que tem um marco inicial mas que do ponto de vista pessoal não tem hora para acabar pode-se dizer: Eu sou este!

Nesta trajetória que vai dos 21 aos 42 anos quando o movimento de auto desenvolvimento não flui por iniciativa própria as mudanças com certeza vem ao encontro do indivíduo de fora: coisas acontecem no âmbito da saúde, da profissão, da família que trazem uma tônica diferente que exigem adaptações, correções de rota.

Por volta dos 40 anos algumas das motivações que carregaram a pessoa na conquista do lugar no mundo e que eram as estrelas brilhantes no horizonte da sua vida  começam a perder intensidade: reconhecimento, poder, status, prestígio, bem estar material, bem estar familiar, satisfações imediatas dos desejos, compensações pessoais, etc.

Alguns pontos foram alcançados, outros ultrapassados, outros ainda permanecem para serem atingidos, e outros se mostram inatingíveis porque ela se deparou com alguns limites próprios.

A vida começa aos quarenta – a crise da meia idade – são temas do inconsciente popular. Os 40 anos, um dos marcos do desenvolvimento biográfico – traz questões novas e a etapa que começa corresponde aproximadamente pelo menos a um terço da vida. A crise da meia idade ganha outro nome no trabalho biográfico: chama-se “crise de autenticidade”.

Autenticidade significa:Genuíno, próprio,

O sentimento da crise de autenticidade foi bem descrita por Drumond no poema:

E agora José? Voltar para Minas? Mas Minas acabou….

Perguntas do tipo:

É este o estilo de vida que quero para mim ?

Era esta a família que eu sonhei para mim? É esta a mulher/homem da minha vida? É esta a posição profissional que eu almejei?

A sensação geral é de que o chão que antes sustentava o indivíduo já não parece tão firme.

E esta sensação não necessariamente traz ansiedade e angustia; ela pode ser tb. estimulante paa o desenvolvimento pessoal.

No trabalho biográfico o marco dos 21 anos corresponde a um segundo nascimento  só que diferente do nascimento físico é o desabrochar de uma consciência de si na vida anímica própria.

De um lado do nascimento até os 21 anos – temos a etapa do desenvolvimento físico : a autoridade é externa e é expressa pelas influências da hereditariedade (constituição), dos valores e normas familiares, do meio ambiente, dos valores da comunidade. Podemos considerar também as intenções pré-natais – pré-disposições, talentos, qualidades natas e tendências à imperfeições que trazemos conosco. É a etapa pedagógica da vida onde ainda estamos sujeitos ás influências da educação e dos estímulos que recebemos.

Do outro lado de 21 até 42 anos – temos a etapa do amadurecimento psíquico –

a autoridade é interna e é expressa pela auto educação através da qual construímos a vida interna própria através da qual podemos desenvolver plenamente e em liberdade no mundo o impulso individual que trouxemos para esta vida, a minha marca pessoal, a tarefa pessoal.

Estas duas etapas podem ser divididas em fases (setênios)

0  -7    Infância                               35-42 Maturidade (Autoconsciência)

7  -14  Puberdade                          28-35 Adulto (Razão)

14-21  Adolescência                       21-28Juventude  (Sensação)

Começamos com a pergunta:

Quais são as condições para o desenvolvimento saudável na primeira etapa e como estas condições se refletem na etapa posterior.

 

Primeiro espelho: Adolescência versus Juventude

A adolescência começa com um  sentimento vago de que as coisas já não são como eram antes. Até por volta de 14 anos a gente se sentia parte  de alguma forma da família, da turma  da rua, do pessoal do bairro ou da galera da escola… eu era filho de fulano de tal, pertencia a tal família…

De repente sem saber quando começou vem aquela sensação esquisita de separação: sou mas não sou… ainda não sei quem eu vou ser mas sei com certeza que eu não quero ser igual ao meu pai ou a minha mãe – que eu sou diferente. Que o meu casamento não vai ser como o dos meus pais, que a minha carreira vai ter um rumo diferente, etc.

Muitas vezes esta separação ocorreu de fato: intercâmbio cultural por exemplo; ou mudança de escola, ou mudança de bairro, de cidade…

a vida sentimental do adolescente vive nos opostos:

os sentimentos oscilam entre simpatias (gosto) e antipatias (não gosto);

entre ser aberto, extrovertido e social ou fechado introspectivo e antisocial,

a vida emocional é frágil (ninguém pode saber o que eu sinto);  dependente (ídolos, amigos, turma que confere identidade), e foge para zonas de conforto ou gozo lúdico da existência (jogos e vícios)

a consciência do adolescente é do tipo instintiva: ligada às necessidades físicas: defender meu território (quarto/livro/computador); competir para  provar que sou o melhor; autonomia (ninguém manda em mim, eu não pedi para nascer);  usa de  artimanhas para conseguir o que quer, bateu/levou, ataque/defesa .

São os hormônios, dizem… ou a aborrescência como dizem outros…

Em termos do desenvolvimento físico é o amadurecimento do sistema urogenital que faz aflorar os instintos físicos na vida interna dando a tônica dos sentimentos e orientando a vontade na satisfação imediata das necessidades e dos desejos.

É o animalesco em nós diz a religião; somos um animal superior diz a psicologia comportamental.

Contrapondo-se  a estes impulsos que vindo do corpo afloram na alma temos os impulsos que vem da consciência em formação, podemos chamá-los de anseios:

vou estruturar melhor a minha família; vou trabalhar em algo que tem a ver comigo; vou me dedicar a algum trabalho que agregue valor à vida; vou lutar pelas injustiças sociais; etc. Na adolescência cada um de nós tem sua própria imagem de como o mundo deveria ser mas com certeza o que todos temos em comum é que este deveria ser um mundo melhor;

 

 

 

 

 

 

 

O que educa nesta fase da adolescência?

Um sólido conhecimento científico por exemplo é educador nesta fase  porque torna  o mundo real; medir, quantificar, associar, olhar os fatos; tudo precisa ser autêntico e tudo o que é ensinado deveria ser relacionado com os grandes processos evolutivos da vida: a alma adolescente precisa perceber o espírito que vive em tudo; precisa desenvolver ideais.

O segundo potencial educador da adolescência são as oportunidades de participar de experiências, projetos onde o seu anseio possa ser vivenciado na prática, onde ele possa exercitar a sua qualidade pessoal e torná-la uma qualidade de liderança. No anseio vive a vocação. O meio ambiente deveria proporcionar oportunidades para o adolescente fazer a ponte entre o seu  anseio e a realidade porque isto lhe dará a capacidade de formar idéias a respeito das coisas e uma compreensão mais ampla dos fenômenos do mundo:

Como a adolescência se reflete na juventude?

Os 21 anos é o marco do nascimento do Eu . Enquanto a consciência do tipo instintiva tem relação com o que aflora dos processos corpóreos e se direciona para atender as necessidades não só do  corpo mas do mundo ao redor, a consciência de Eu é do tipo superior e se conecta com a esfera mais elevada da vida anímica: com os anseios que  direcionam o jovem para o mundo.

A consciência de Eu ela é do tipo faraônico, na juventude temos a impressão que descendemos dos deuses, sentimos a força do divino, da amplidão da vida, a juventude tem asas.

Quando o Eu não encontra esta acolhida na vida anímica do jovem (quando ela foi limitada) a força do interesse pelo mundo torna-se fraca e então temos o jovem que logo se acomoda em uma rotina; que se torna conformista; que tem tendências à auto-indulgência; que se desconecta da realidade

Quando o Eu não consegue se interiorizar a alma é arrastada pelas forças do meio ambiente perpetuando a adolescência e o jovem continua a ser direcionado pelos instintos se perdendo na experimentação e  não conseguindo encontrar os meios para consolidar a vida. Temos então aquele jovem que  troca constantemente de trabalho, de mulher, de lugar, de profissão.

O que contribui para uma juventude saudável são os ideais (sonhos) da adolescência que vão se refletir em  programas de estudos, viagens, autonomia financeira, casamento; profissão; carreira. São os ideais que na juventude fazem o céu parecer ser  o único limite, a vontade ser capaz de remover até montanhas e a vida ter um significado tão grande.

 

Segundo espelho: Puberdade e da vida adulta – alma da razão.

 

A puberdade começa na troca dos dentes; porque este é o sinal que o corpo transmite  de que as forças vitais estão liberadas do processo do crescimento para o aprendizado intelectual.

A criança está na Escola; já atravessou a rua, já ampliou o seu mundo.

Do ponto de vista anímico de início  todos são mariazinhas e joazinhos com medo da bruxa que os quer comer (a bruxa nos contos de fadas representam as resistências que a criança encontra). Na escola,  aos poucos o Coelhinho da Páscoa e o Papai  Noel vão ficando para trás com a fantasia da infância.

A formação de juízo se dá aos poucos : vai do aprendizado da soma para o da equação

As regras e valores estabelecidos desde cedo pela família orientam para o que é certo e para o que é errado. O que educa nesta fase além das normas e valores  é a presença no  meio ambiente de uma autoridade amada, de alguém a quem seadmire, de alguém a quem se reverencie.

O sistema que está amadurecendo é o rítmico: regulariza-se a respiração em relação com os batimentos cardíacos e a vida de sentimentos é ainda mais básica do que na adolescência;

Os sentimentos fluem para o mundo no pulsar do coração e pulmão. Temos uma vida anímica intensamente subjetiva:  a relação com tudo é principalmente através do que se sinte. Por exemplo: só se aprende matemática se se gosta do professor!

E isto vale para todas as matérias.

Outro potencial educador portanto é um ensino criativo, humanizado – não é hora de aprendizado técnico. O professor é aquele que traz o conhecimento e portanto o mundo para a sala de aula.

É só com o Rubicão aos 9 anos que o púbere acorda para a percepção de si mesmo no mundo,  geralmente com uma vivência de sofrimento: ele/ela descobre que ou é gorda, ou é narigudo, ou é dentuça, ou é pobre  e assim por diante.

Ele/ela descubre a discriminação que se estabelece  entre si e o mundo.

E aprende a se virar, a se defender, a dar as suas cotoveladas nos jogos, a levar a bola pra casa, etc.

Como esta fase se espelha na vida adulta?

Os 28 anos é chamado de  ponto de hypomóchlio:

Do grego     hypo:inferior   móchlio: alavanca

Os 28 anos é o  momento em que o Eu (que se fez presente nos 21 anos) adentra ainda mais na vida interna e começa a alavancar a vida. É a fase em que precisa-se de coragem  de iniciativa e forças criativas para consolidar não só o mundo externo mas também o mundo interior.

Consolidar o mundo externo significa a expansão do conhecimento técnico adquirido na faculdade, a escalada profissional, a aquisição de patrimônio; a expansão familiar. É a razão consolidando o mundo externo: o que precisa ser feito, relacionar as coisas entre si, tirar conclusões, estabelecer estratégias e metas a serem alcançadas.

Consolidar o mundo interno é se apropriar das normas e valores que foram recebidos na puberdade os quais  precisam não só serem apropriados mas alguns deles precisam ser transformados. Do contrário eles permanecem como padrões de atitudes que são recorrentes e que  não contribuem  para o desenvolvimento pessoal. Nos processos de desenvolvimento os padrões recorrentes são chamados de distúrbios de comportamento. Na psiquiatria estes padrões recorrentes são chamados de neuroses.

E onde vamos buscar coragem e iniciativa para consolidar o lugar no mundo e ao mesmo tempo fazer as transformações de comportamento que precisam ser feitas?

A resposta é: dentro de si, onde a influência da antiga autoridade amada externa da puberdade pode ser apreendida agora como autoridade interna. Esta influência é uma contínua fonte de verdade. Não se consegue enganar a si mesmo! E a mesma objetividade que se aplica no mundo pode ser aplicada em si.

É surpreendente descobrir esta associação da razão com a índole ou seja com o que flui do mais íntimo o que vale dizer com o amor que recebemos na fase inicial do aprendizado intelectual.

Na fase adulta a nossa qualidade pessoal  expressa os nossos valores mais profundos que fluem para o mundo como habilidades para com o social.

A pessoa que não foi educada através de normas de comportamento e de valores e que não teve a influência de uma autoridade amada pode tornar-se nesta fase extremamente egoísta e passar de trator por cima de todos. Falta-lhe o juízo, uma instância dentro de si acima dos interesses materiais imediatos.

Ou por outro lado pode lhe faltar iniciativa e coragem de se afirmar com todo o seu potencial no mundo porque carece de firmeza interior.

Terceiro espelho: A Infância e fase da Autoconsciência

Nascemos totalmente desamparados, totalmente dependentes e indefesos.

Não só de cuidados, de alguém que alimente, limpe o bumbum, mas precisamos ser carregados no colo, aquecidos, aconchegados – nascemos chorando, gritando  por amor. E de amor do tipo incondicional o que significa dedicação por inteiro..

Aos poucos vamos dando conta de viver nesta terra dura, mas divertida.

As necessidades só aumentam, precisamos agora de proteção, de limites, da estrutura e da rotina que um lar oferece.

A infância é a fase onde por um lado desenvolvemos o sistema nervoso central, temos que sustentar a cabeça em cima dos ombros e temos que fazer conquistas muitos grandes tais como andar, falar e pensar precisamos para isto de muito apoio. E como a vida em volta é muito animada precisamos de um ambiente  alegre e espaço para brincar  e para desenvolver a constituição física.

O que principalmente precisamos na infância são:

Cuidados, Amor, proteção, ritmo, alegria e espaço

Estas condições estruturam a constituição física de um indivíduo e esta é a base da sua saúde anímica e espiritual.

Como se reflete a Infância na fase da autoconsciência?

Na fase do desenvolvimento da autoconsciência o nosso Eu adentrou totalmente a nossa vida interna o que nos dá uma enorme autonomia de pensar, sentir e querer. Somos uma personalidade, com experiência própria, diferenciados, humanizados.

Não sou uma pedra, nem uma planta nem um animal: eu sou um ser consciente de si mesmo. Sou capaz de direcionar minhas forças anímicas para o auto conhecimento e desenvolvimento  próprio assim como os talentos, as capacidades, as qualidades que eu trouxe e que adquiri podem ser conscientemente  direcionados para ampliar o conhecimento e participar do desenvolvimento do mundo externo. Posso agregar valor próprio ao mundo.

As minhas forças anímicas regidas pelo Eu se direcionam para dentro da substância, da alma e do espírito do mundo.

A distância entre eu e o mundo se acentuou porque eu me tornei um mundo a parte. Muitos sentimentos de isolamento, de abandono se originam deste passo no desenvolvimento pessoal.

Como trazer para a vida atual os cuidados, amor, proteção, ritmo, confiança,  alegria, espaço e liberdade que foram as fontes de sustentação da saúde na infância?

Em relação a isto as perguntas de Aaron Antonovsky ao desenvolver o conceito da Salutogênesis foram bem específicas:

Porque eu pego gripe e o cara do meu lado não?

Porque em condições adversas a pessoa do meu lado consegue manter o equilíbrio e eu não?

Segundo a salutogênese:

No campo físico as fontes de saúde estão:

Encontrar  os próprios limites

1- O que na infância era a convivência com os limites que criavam um campo de proteção transforma-se na vida adulta na capacidade de conscientizar-se dos próprios limites e das reais possibilidades. Só reconhecendo os limites é possível ampliá-los. Conviver com limites tem a ver com ir de encontro a uma identidade própria. Diante de um impedimento posso reconhecer: isto é um fato, posso aceitá-lo e conviver com ele. Aceitar os fatos não significa fugir das coisas que você pode transformar A aceitação de limites é uma das modalidades de aquisição de consciência.Encontrar os próprios limites é igual a autoconhecimento real – verdadeiro e desta forma não só se evita o stress mas se adquire a capacidade de suportá-lo. Todo organismo sadio tem em alto grau a capacidade de adaptar-se.

Diante do que lhe é estranho, do que se opõe a si, ele pode se confrontar e se fortalecer neste confronto conseguindo intensificar a suas próprias defesas,  adquirir forças de resistência e recuperar o equilíbrio perdido.

2- Buscar proteção e apoio

Os cuidados físicos que nainfância eram a base de sustentação da criança na fase adulta se transformam nas forças de retaguarda do adulto.

Procurar segurança física tais como ter um lar, ter alguma reserva financeira, ter previdência, sentir-se amparado por recursos materiais, significa desenvolver sustentação nas próprias forças. A pessoa que sente que tem este tipo de retaguarda adquire um nível básico de estabilidade emocional que consegue fazer frente às situações adversas.

No campo anímico as fontes de saúde no campo anímico estão:

1-O que na infância era o aconchego do colo, o acolhimento, o calor , transformam-se na vida adulta em confiança na relação humana.

Isto significa conseguir se sentir amparado pelo afeto do seu círculo de relação.

Pessoas que passaram por condições extremas de vida  contam como conseguiriam superar a situação pela ligação com amigos, parentes, etc. Quando se dispões de um network de relações verdadeiras a vida vale a pena ser vivida, apesar dos pesadelos.

2- O que na infância eram a alegria e o entusiasmo do brincar transformam-se na vida adulta em criatividade e vida cheia de significado e responsabilidade.

Fortalecer a consciência de que você está inserido dentro de um contexto universal, é parte de um todo em evolução, tudo pode ser compreendido e alcançado tudo está em sintonia, tudo faz sentido . O mundo estruturado dentro de uma ordem e consistência e não aleatório e imprevisível . O que você faz não pode estar desarticulado do que você sente e do que voce quer.

O individualista amoral é aquele que não se  responsabiliza pelas conseqüências dos seus atos. Isto é reflexo da educação intelectual precoce na infância quando a criança aprende coisas que não encontram correspondência no seu cotidiano  (devido a ansiedade dos pais) – e não o que é melhor para elas.

 

 

 

No campo do Eu, da Consciência as fontes de sustentação da saúde estão:

1-O que na infância era a vivência de se sentir envolvido por forças de amor transforma-se na vida adulta na crença em uma esfera superior da vida, na fé em um Deus, no me sentir protegido por algo que está além de mim e das minhas forças.

Ligar-se ao plano espiritual é uma das mais poderosas fontes de saúde porque significa que você se alinha internamente com a sua própria entidade eterna  e isto desenvolve a confiança na continuidade e no sentido mais profundo da sua vida.

2-O que na infância era a vivência de um ritmo, de uma rotina estruturada desenvolve-se na idade adulta em coerência de vida, a capacidade de estabelecer relações conscientes entre tudo o que ocorre .

Isto faz entender as demandas – compreensão mais profunda do porque está  acontecendo assim (mesmo eu estando no lugar da vítima) e evita a psicologia do bode expiatório – onde se perde muito tempo com os jogos das sombras.

O individualista moralista é reflexo de uma educação que obscureceu a sua individualidade; embora o moralismo leve ao desenvolvimento de certas qualidades (a pessoa certinha) o indivíduo não amadurece e sempre olha de baixo para cima para as autoridades e espera que alguém lhe  diga o que é certo e o que é errado.Carece de livre arbítrio.

3-O que na infância foram todas as condições que proporcionaram uma constituição saudável transformam-se na vida adulta em forças de resistência.

O que caracteriza a nossa época é a iniciação ao mal; aAntes o mal era excluído: estava no preto; ou no pobre; ou no inferior

Hoje você abre o jornal da manhã e vê estampada ou a raiva, ou a mágoa que você está carregando mas às últimas conseqüências.

Este é o drama da autoconsciência – tudo tem relação comigo.

Podemos nos proteger do mal com leis humanas – a justiça romana.

Mas só nos resta combater o mal combatendo o mal internamente

Isto significa se alinhar com o bem. Cada ação benéfica repõe no mundo o bem que o mal eliminou. O individualista ético segue as diretrizes do seu próprio ser que se desenvolve ancorado em um trabalho de auto conhecimento e auto desenvolvimento.

Palestra de Edna Andrade

Rio, 23 de março de 2007

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Published in: Sem categoria on agosto 13, 2010 at 2:44 pm  Deixe um comentário  
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AS DOZE NOITES SANTAS

Por Edna Andrade

É o assim denominado período que vai do Natal até o dia dos Reis quando, segundo  uma antiga tradição cristã, bênçãos divinas se derramam sobre a humanidade através dos portais das 12 constelações do Zodíaco, o cinturão de estrelas em volta da terra.

Os sonhos nestas noites se tornam mensageiros do espírito!

As 12 badaladas da meia noite do Natal anunciam a vigília que pode ser um preparo espiritual como se as Noites Santas fossem uma prévia dos 12 meses do ano que se inicia.

As inspirações recebidas das hierarquias espirituais nesta época, através da meditação, injetam forças no  desenvolvimento espiritual ao longo de todo o ano.

A tradição das 12 Noites Santas e o Zodíaco

Podemos associar esta tradição à sabedoria antiga do Oriente através do relato da Jornada dos Reis Magos do Evangelho de Mateus. 2.2 a 10

Na noite em que nasceu o Salvador uma estrela se iluminou e este era o sinal há muito esperado pelos Iniciados do Oriente que durante 12 noites seguintes seguiram o brilho da estrela que os precedia até alcançar a criança que havia sido  anunciada como o Messias.

O relato do Evangelho de Mateus nos remete para os mistérios espirituais da antiguidade etapa do desenvolvimento da humanidade da época do assentamento na região do Mediterrâneo quando aqueles que eram iniciados desenvolviam a visão clarividente através da qual o que hoje é considerado pela astronomia como corpos siderais eram vistos por eles como a manifestação de seres espirituais em atividade constante e transmutação contínua.  A este antigo estado de consciência clarividente está associado o surgimento da astrologia, esta sabedoria baseada na analogia do movimento e posição dos astros com o destino humano. Ao fazermos a vigília das Noites Santas podemos retomar a jornada dos Reis Magos através da ligação interior com este sabedoria a respeito das 12 constelações do Zodíaco.

Quem são os seres que vamos encontrar na jornada das 12 Noites Santas?

Rudol Steiner refere-se às hierarquias espirituais em muitas de suas palestras. Inicialmente ele lhes dedica um capítulo na Ciência Oculta (1905) descrevendo a atuação delas na evolução do universo e do ser humano.

As nove hierarquias espirituais podem ser contempladas  como esculturas no portão sul da Catedral de Chartres desde o século XIII. Chartres foi a mais importante catedral gótica da idade média e neste portão chamado de Portão da Transubstanciação as hierarquias formam uma escada ascendente que representa o ensino espiritual da Escola de Chartres. O aluno deveria de degrau em degrau (gradualmente) adquirir consciência destes seres espirituais que representavam diferentes estados de consciência. Neste aprendizado o pensamento era considerado um instrumento necessário para a percepção do espiritual desde que fosse casado com a vivência dos sentimentos e assim tornavam-se ambos, pensar e sentir, órgãos de compreensão e de participação no mundo espiritual.

Os nomes das hierarquias se originaram de um manuscrito de Dionísio, o Aeropagita que fundou a primeira escola esotérica cristã da antiguidade. Dionísio um iniciado dos antigos centros de mistérios gregos  renomeou os seres divinos que era chamados na antiguidade como os seres de Vênus, os seres de Mercúrio,etc. a partir da revelação do Cristo feita a ele por Paulo de Damasco em Atenas.

O manuscrito sobreviveu ao longo de séculos até ir parar em Chartres e  é intitulado Os Nomes divinos e a Teologia Mística  descrevendo dramaticamente os nove níveis de seres divinos associados em grupos de três hierarquias que participaram da evolução da terra e do ser humano.

A primeira hieraquia inclui os Serafins, Querubins e Tronos que iniciaram a evolução estando tanto no seu início como no seu fim – no Alfa e no Omega,

Eles atuam a partir do divino, da esfera macrocósmica que é denominada como a esfera do Pai, de Deus, de Alá. do amor divino, da doação cósmica. Eles são seres de um estado evolutivo anterior ao nosso, tão avançados em sua evolução que foram capazes de fazer fluir de si a sua própria substância dando nascimento ao atual estado do nosso sistema solar.

A segunda hierarquia é formada pelos Kyriotetes, Dynamis e os Exusiai. Enquanto no processo de configuração do nosso Cosmos a primeira hierarquia atuou de fora eles de dentro do processo acolheram os planos divinos transformando-os em sabedoria, dando-lhe movimento e  forma.

E por último a terceira hierarquia os Arqueus, Arcanjos e Anjos próximos ao seu humano porque desenvolveram a sua essência nesta etapa evolutiva em que nós Anthropos nos encontramos e na qual estamos destinados a nos tornamos co-criadores da evolução..

Primeira hierarquia   Segunda hierarquia   Terceira hierarquia

Serafins                            Kyriotetes                     Arqueus

Querubins                       Dynamis                         Arcanjos

Tronos                              Exusiai                            Anjos

Já nos últimos anos de sua vida  em uma palestra intitulada a Palavra Cósmica e o Homem Individual (2/05/1923)   Rudolf Steiner chama a atenção para o fato de que o homem auto consciente deveria  re-aprender a vivenciar as hierarquias na sua vida interna como realidades.

Nesta palestra ele diz que estes seres espirituais vem ao nosso encontro quando nos preparamos para conhecê-los e falarão a nossa alma primeiramente como pensamentos e sentimentos e só então o perceberemos como realidades

Em um texto intitulado O Zodíaco e as Hierarquias Espirituais, Sergej Prokofieff

atualmente um dos dirigentes mundiais da Antroposofia, inspirado por diversas palestras de Rudolf Steiner  descreve o ensino espiritual de Chartres  nesta tradição da vigília das 12 noites santas.

Ele  delinea a escada de expansão da consciência que ajuda a dar nascimento no último degrau ao ser divino em cada um de nós.

O primeiro degrau da escada se assenta na esfera humana terrena e cada degrau no leva gradualmente à esfera macrocósmica à esfera divina.

Prokofieff faz uma analogia entre este caminho de transformação e o processo de desenvolvimento descrito por R. Steiner como o caminho de Jesus a Cristo.

Jesus nasce como a criança arquetípica destinada a se desenvolver como um ser humano de tal forma que possa acolher em si o Eu do Cosmo no Batismo do Jordão. Este acontecimento místico  derramará sua influência por sobre toda a história humanidade como um grande arquétipo de desenvolvimento espiritual.

PRIMEIRA NOITE SANTA

Soam as 12 badaladas da meia noite anunciando o Natal.  Vem a aurora, atravessamos o dia, cai a noite  e uma luz se acende no céu irradiando um brilho que emana da Constelação de Peixes  e ilumina a primeira vigília santa.

Estamos no primeiro degrau da escada que está assentada na esfera humana terrena na dimensão da existência do anthropos – o ser da liberdade.

A liberdade é uma das duas principais forças espirituais que nos foram destinadas  conquistar ao longo da vida. A outra força será ao final da escada, o amor.

A sabedoria antiga nos conta que foram as forças espirituais de Peixes que configuraram os pés humanos. Quando observamos os pés verificamos que eles são formados em forma de uma abóboda que vai propiciar simultaneamente com a verticalização da coluna o andar ereto, primeiro grande aprendizado da vida. Quando criança nos arrastamos, engatinhamos e finalmente nos erguemos e nos apoiamos nos próprios pés superando as forças da gravidade significando isto uma grande conquista e a condição para o desenvolvimento do pensamento, sendo o pensar  o que diferencia o Humano dos outros reinos da natureza.

Ao longo da vida seguidamente fazemos uma analogia íntima com este fato:

“andar nos meus próprios pés, saber por onde ando,”, seguir os meus próprios passos,” “não vou andar nos passos de ninguém” são expressões que expressam uma correta relação com a terra e com o destino em termos de liberdade pessoal.

Nesta primeira Noite Santa recebemos da constelação de Peixes os impulsos para se firmar nos próprios pés e se erguer, condições básicas para alcançar a liberdade individual, meta ao qual nos destinamos como seres individualizados.

SEGUNDA NOITE SANTA

Nasce o Sol, atravessamos o segundo dia, cai a noite e uma nova luz brilha no céu irradiando da Constelação de Aquário o segundo degrau desta escada espiritual. Deste portal emanam para nós as forças espirituais dos Anjos.

Os anjos são representados pela figura de um ser que derrama a água, o símbolo da vida e  assim eles também são chamados de “Filhos da Vida”.

Eles são os seres espirituais imediatamente superior a nós mantendo conosco uma relação próxima. O encontramos logo cedo no nascimento quando “parecemos anjos” nosso corpo vital ainda muito latente, cheio de vida.

Na infância ele é chamado de “Anjo da Guarda” e é sempre representado em todas as culturas protegendo a criança dos perigos sendo o seu guia e como guia ele permanece ao longo de toda a nossa vida.

“Pergunte ao seu anjo da guarda” freqüentemente escutamos quando estamos em dúvida em relação ao caminho a seguir, a que decisão tomar.

Na vida adulta ele se transforma em nosso Guia Espiritual, nosso verdadeiro Self . “Assim deverás ser” nos fala no íntimo transmutando contínuamente forças vitais em forças de consciência fazendo surgir nos pensamentos as imagens orientadoras para a nossa vida.,

Nesta segunda Noite Santa recebemos através do Portal da Constelação de Aquário os impulsos dos Anjos para que possamos enxergar e permanecer fieis aos nossos ideais. Os nossos ideais iluminam e protegem o nosso  caminho e apontam para onde devemos seguir.

TERCEIRA NOITE SANTA

Atravessamos mais um dia, cai a noite e uma nova luz brilha no céu irradiando da Constelação de Capricórnio o terceiro degrau nesta escada espiritual e deste portal emanam para nós as forças espirituais dos Arcanjos. Os Arcanjos são denominados de seres da luz. Rudolf Steiner os descreve na Ciência Oculta como aqueles seres que durante a evolução acordaram ao enxergar o seu próprio reflexo no exterior. Quando eles doaram sua própria essência esta sua essência era a própria luz  que irradiou para os quatro cantos do universo. A  luz dos arcanjos é representada hoje em nós pela nossa inteligência que irradia para o meio ambiente e torna consciente para nós mesmos e para o mundo a nossa própria existência.

Os arcanjos se tornaram na evolução guardiões da inteligência cósmica com a missão de proteger o amor divino contido nesta inteligência que criou  e transformou tudo em sabedoria para o bem de todos .

Nesta terceira Noite Santa recebemos através do Portal da Constelação de Capricórnio os impulsos dos Arcanjos para o fortalecimento da nossa personalidade através da expansão da luz e autonomia da nossa inteligência

QUARTA NOITE SANTA

Atravessamos mais um dia, cai a noite e uma nova luz brilha no céu irradiando

da Constelação de Sagitário de onde emanam as forças espirituais dos Arqueus, os Seres da Personalidade. Isto significa que eles não só possuem um Eu como sabem que o possuem e através desta consciência intensificada  eles criam uma imagem de si no exterior.. Eles projetam no exterior a força de sua luta interna que é a própria luta do centauro, do ser humano emancipado por um lado na sua inteligência mas por outro lado, em luta constante para superar suas forças animalescas, seus instintos selvagens, suas forças egoísticas.

Os arqueus são considerados os Espíritos do Tempo porque esta luta é a própria luta de desenvolvimento humano do nosso tempo abrangendo algo que ultrapassa todas as etnias e se torna uma influência cultural na nossa civilização.

Aqui a tarefa anterior dos Arcanjos que era proteger a sabedoria cósmica das intenções egoístas é ampliada  pelos Arqueus estando expressa no desafio da nossa civilização moderna na luta entre o materialismo exarcebado e a preservação dos recursos naturais.

No portal sul da Catedral de Chartres a escultura de Micael preside as 3 hierarquias. Rudolf Steiner constantemente se refere a ele como  o Regente desta nossa Época  com a missão de dominar o dragão o ser mítico em cuja forma está  representado o nosso intelecto onde a sabedoria cósmica foi apropriada através da compreensão das leis, através da ciência natural e precisa ser colocada no mundo de forma mais ampla para o bem de todos. Tanto no aspecto pessoal de construção da personalidade como neste aspecto  temporal esta luta representa um cair e levantar constantes.

Nesta quarta Noite Santa recebemos através do Portal do Sagitário os impulsos espirituais dos Arqueus para o fortalecimento da personalidade de forma que tenhamos forças de estabelecer e sustentar  impulsos mais abrangentes na nossa vida que nos orientem para o futuro e que contenham metas espirituais para  a nossa existência.

QUINTA NOITE SANTA

Nasce de novo o sol, atravessamos um novo dia e cai a noite e uma nova estrela brilha no céu irradiando da Constelação de Escorpião através do qual emanam as forças espirituais dos Exusiai os Seres da Forma. Agora atingimos o âmbito da segunda hierarquia. Eles também foram seres de um estado evolutivo anterior tão avançados em sua evolução que podem acolher os planos divinos e torná-los manifestos de forma que haja uma concordância entre a esfera macróscomica da consciência cósmica e o nosso sistema solar que é uma expressão microcósmica onde a nossa existência humana está inserida, onde a biografia humana transcorre.

Os Exusiai estão envolvidos nos processos de criação de um novo ser, na transformação de uma forma em outra, na metamorfose constante da substância,.

Na Bíblia eles são chamados de Elohins e no corpo humano as forças de

Escorpião configuraram os genitais a partir dos quais é possível a procriação ou seja a criação de um novo ser físico.

Estamos no âmbito das forças sexuais que são as forças que oscilam tanto para o egoísmo mais absoluto, aquilo que pode ser caracterizado como o mal porque ao oferecer a possibilidade da maior satisfação imediata podem subjugar o humano ao nível do animalesco. Mas que também trazem uma das maiores possibilidades para a superação do egoísmo e transcendência de forças. Se em Sagitário tínhamos a imagem de um cair e levantar constantes entre o animalesco e o humano aqui temos a imagem de uma luta na nossa vida interior entre a morte e  ressurreição. E esta é uma luta que ocorre em âmbito muito individual onde em liberdade oscilamos entre as sombras que obscurecem o nosso ser, os esconderijos onde vive o Escorpião venenoso e as forças de expansão do ser representadas pela águia que se eleva às alturas e de lá contempla o Todo.

O Escorpião é então o signo das forças duplas, tanto destrutivas, retrógadas que mudam constantemente de aparência e invadem a nossa alma caotizando a vida  como é também portador de forças construtivas que tem a ver com transmutação constante e contínua  superação para que a substância divina, o Espírito possa em nós ser plasmado de novo e sempre. No apocalipse esta característica de forças duplas é apresentada como a espada de dois gumes.

Nesta quinta Noite Santa recebemos através do portal de Escorpião os impulsos espirituais dos Exusiai para aceitar por um lado as nossas fraquezas, e por outro lado recebemos impulsos espirituais para a superação e transformação destas forças.

SEXTA NOITE SANTA

Temos o nascer do sol, a passagem de mais um dia e o cair da sexta Noite Santa. Uma nova estrela brilha no céu irradiando da Constelação de Balança o portal através do qual emanam as forças espirituais dos Dynamis os Seres do Movimento. Continuamos no âmbito da segunda hierarquia. Na evolução os Dyamis acordaram ao perceber o que estava ocorrendo em volta deles e atuaram criando um equilíbrio dinâmico, uma correta relação, uma permanente reciprocidade entre as coisas. Estar em desequilíbrio significa estar separado, não está inserido na unicidade de todas as coisas. Suas forças configuraram a bacia que é responsável pelo equilíbrio no manter-se ereto.

No trabalho biográfico estudamos a expressão da Balança por volta dos 28 anos que é o marco de mudanças entre as forças do passado que nos carregaram até aí e as forças do futuro que trazem a possibilidade de uma nova expressão da nossa individualidade através da nossa capacidade de transformar a herança da educação herdada. . Os Dynamis nos oferecem a possibilidade de colocar as influências do passado e as possibilidades do futuro, o dentro e o fora, os processos de fusão e de separação em uma correta relação de reciprocidade, em um equilíbrio dinâmico. .

Na sexta Noite Santa através do portal da Balança recebemos dos Dynamis os impulsos espirituais para desenvolver o equilíbrio interior e conseguir conter as forças de dispersão para se ter uma vida coerente e harmoniosa.

SÉTIMA NOITE SANTA

De novo temos o nascer do sol que anuncia o novo dia e no final deste o cair da noite. Uma nova estrela brilha no céu emanando luz da Constelação da Virgem

o portal do qual emanam as forças dos Kyriotetes os Seres da Sabedoria.

Na evolução eles acordaram ao perceber a existência de outros seres para os quais criaram então o espaço do acolhimento. Estamos ainda no âmbito da segunda hierarquia que acolhem e realizam os planos divinos.

As forças do Signo da Virgem configuraram o ventre que é um aspecto físico do feminino que pode receber e gerar outro ser. A alma, a nossa vida interna  também tem esta qualidade do feminino de levar para dentro, de acolher no íntimo e de guardar a nossa essência, o nosso Eu.. A Virgem é a imagem terrestre da Alma cósmica, a Sofia e ela é considerada virgem porque corresponde a um aspecto de nossa alma que permanece intocada pelas necessidades terrestres e pode então acolher e gerar o Espírito individualizado em nós. Isto significa um estado de entrega e doação constantes, de cortesia e polidez.

Na sétima Noite Santa através do portal da Virgem recebemos os impulsos espirituais dos Kyriotetets que são capacidades de criar o espaço para algo novo ser gestado no íntimo e de encontrar  forças a partir do seu próprio interior para fazer desabrochar a sua vida.

OITAVA NOITE SANTA

Nasce um novo Sol, atravessamos mais um dia e vem o cair da noite.

Uma nova estrela brilha no céu emanando luz da Constelação de Leão, o portal do qual emanam as forças dos Tronos os Seres da Vontade .

Alcançamos a primeira hierarquia, de seres espirituais muito evoluídos que manifestam as intenções divinas atuando da esfera macrocósmica para dentro do nosso sistema solar.

Na evolução os Tronos eram seres tão completamente conscientes de si que seu querer era sua própria substância e este querer é tão exaltado que estes seres produziam calor e doaram sua própria substância.

As forças de Leão configuraram o coração humano e os dirigentes da antiguidade e os reis da idade média associavam sua realeza com este signo que era relacionado com a coragem e a prontidão de realizar no exterior o que é determinado a partir de dentro: a voz do coração.

Na oitava Noite Santa, a partir do portal do Leão recebemos os impulsos de entusiasmo e coragem para enfrentar as provas que o destino nos trazem

NONA NOITE SANTA

De novo sai o Sol, atravessamos um novo dia e vem o cair da noite.

Uma estrela brilha no céu emanando o seu brilho da Constelação de Câncer o portal do qual emanam as forças espirituais dos Querubins os Seres da Harmonia.

Foi a ação dos Querubins no início da evolução que criou o cinturão protetor de estrelas  em volta do nosso sistema separando-o da totalidade macrocósmica

Esta ação está expressa na própria configuração do tórax: as forças de Câncer configuram os doze pares de costela, o invólucro protetor físico do coração, o órgão da vida.  .

Os Querubins trazem o impulso para que as transições de um ciclo para  outro ocorram de forma harmoniosa. Eles atuam na forma da espiral cujas forças  vem do ciclo anterior, criam um invólucro e se direcionam para o próximo ciclo –  em uma seqüência repetitiva, harmoniosa. Podemos observar estas espirais cósmica  também em ciclos menores da natureza . São os Querubins que cuidam por exemplo que a semente do outono renasça como uma nova planta na primavera.

Na biografia encontramos também estas transições no nosso desenvolvimento que  às vezes se apresentam de forma dramática como crises .

Na nona Noite Santa através do portal de Câncer recebemos os impulsos espirituais dos Querubins que nos  trazem  força para nos harmonizarmos com o novo e cria aconchego para que os momentos de transição ocorram de forma harmoniosa.

DÉCIMA NOITE SANTA

De novo sai o sol, atravessamos um novo dia e vem o cair da noite.

Uma estrela brilha no céu emanando seu brilho da Constelação de Gêmeos,

o portal através do qual emanam as forças espirituais dos Serafins os Seres

do Amor.  Amor que não está mais assentado nos laços físicos, nos laços da paixão mas em laços espirituais. O amor fraterno.

Os gregos tem um mito através do qual podemos saber do que se trata.

O mito do Kastor e do Polydeukes irmãos que eram filhos da mesma mãe com pais diferentes sendo que Castor era mortal e o Polydeukes imortal. Ocorreu que Castor morreu e o seu irmão foi até Zeus e pediu que a sua imortalidade fosse retirada e concedida ao Castor e Zeus comovido tornou-os ambos imortais e os colocou no céu na forma de uma constelação. Ou seja elevou-os a condição macrocósmica e o que os tornou imortais não foram os laços de sangue mas o abrir mão de si que resultou numa forma ainda mais elevada de amor.

No Evangelho temos a sentença desta forma de amor: “onde dois estiverem reunidos em meu nome eu estarei no meio deles” – ou seja abre-se mão do próprio Eu e ganha-se um outro Eu que é eterno.

A fraternidade é o mais poderoso impulso para a vida social porque ela pode quebrar as barreiras de status, de etnia e de crenças.

Na décima Noite Santa através do portal de Gêmeos os impulsos espirituais dos Serafins  ajudam a  vencer a barreira do individualismo e da solidão. 

DÉCIMA PRIMEIRA NOITE

De novo vem o Sol e um novo dia e ao cair da noite uma estrela brilha no céu emanando seu brilho da Constelação de Touro portal por onde adentra à esfera do Zodíaco vindo das regiões macrocósmicas o sopro do espírito.

Se lembrarmos dos Reis Magos estava próximo o lugar onde se encontrava a criança e iluminando a noite  o brilho da estrela que os precedia  ampliava enormemente a dimensão do deserto. A alma se elevou tocando outra dimensão que não é terrena e o Espírito Santo adentra a dimensão humana manifestada no  Batismo de João sob a forma de uma pomba.

É uma noite de grande expansão da alma, os horizontes se ampliam e a nossa alma pode se elevar a um  estado anímico cósmico alcançando a dimensão da alma do Cosmos, da Sofia divina e sentir a presença do espírito . No Antigo Egito isto era representado nas esculturas que portavam os chifres do Touro com o espaço entre eles preenchido por um disco solar coroando a cabeça do faraó considerado o descendente direto de Deus.

Foram as forças do Touro que configuraram a laringe, o órgão da fala que segundo o Steiner está em transformação  e que nos estágios evolutivos futuros do ser humano a palavra terá de novo a força plasmadora referida  nas Gênesis de todas as religiões. No princípio era o verbo e o verbo estava em Deus.

A palavra será como uma lança sagrada de expressão do amor divino.

Na décima Noite Santa através do portal do Touro o Espírito Santo emana a plenitude do amor divino inspirada como persistência  em relação ao que se pretende alcançar.

DÉCIMA SEGUNDA NOITE

Um novo Sol e um novo dia e no cair da última noite desta ascenção através das hierarquias espirituais. Alcançamos o último degrau desta escada que já nos transportou para as fronteiras do universo.

Este é o portal por onde o filho de Deus, o Eu cósmico adentrou da esfera macrocósmica, da esfera do Brama, Javé, de Alá, da esfera do divino para a nossa existência. Através deste portal ressoa no nosso cosmos vindo das regiões macrocósmicas além do zodíaco a voz  do Pai

“Este é o meu filho muito amado, hoje eu o engendrei.”

Como um eco longínquo é feito o Reconhecimento a síntese de todo o caminho unindo o Natal ao Batismo. O Natal como o nascimento da criança natural e o Batismo como o posterior nascimento da criança divina o Cristo como uma luz brilhando no interior, como um Sol interno na alma livre e plenamente consciente.

A voz de Deus é a voz da consciência humana que eleva o Eu de uma condição terrena, inferior a uma condição cósmica, superior trazendo para o ser humano a possibilidade  de se tornar o ser da liberdade e do amor – a décima  hierarquia espiritual .

Palestra proferida por Edna Andrade na Clínica Tobias em São Paulo no Natal de 2006

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Bibliografia

A Ciência Oculta – R. Steiner – Ed. Amtroposófica

O Zodíaco e as Hierarquias Espirituais – Sergei Procoffiev

The Golden Age of Chartres – René Querido – Floris Books

Published in: on dezembro 24, 2009 at 9:30 pm  Deixe um comentário  

O Aconselhamento Biográfico

O Aconselhamento Biográfico é um processo terapêutico de apoio ao indivíduo em situações de crise de relacionamento, crise profissional ou crise de saúde consideradas, de uma forma generalizada, como crises de desenvolvimento pessoal.

O Aconselhamento Biográfico está fundamentado no conhecimento das leis imutáveis que regem a biografia humana levando em consideração que a vida de uma pessoa não é um amontoado de eventos ao acaso mas se desenvolve em fases  que se diferenciam em conteúdo, significado e desafios de desenvolvimento pessoal.

Durante um processo de Aconselhamento Biográfico o cliente olha dentro de sua biografia pessoal, abre o seu mais precioso tesouros onde estão  guardadas as lembranças mais queridas, suas alegrias, seu sofrimento e os anseios que, como estrelas orientaram os seus passos. Ele revê, passo a passo, os impulsos, sentimentos e aspirações que permearam as suas experiências, desde a lembrança mais remota até o momento atual onde se depara com a sua questão de desenvolvimento, fator de sua crise.

Durante o processo o cliente, apoiado pelo Aconselhador vai adquirindo uma visão panorâmica de sua própria vida, uma vivência diferente da mera recordação porque ele vê o caminho que percorreu estender-se diante do horizonte do seu pensar como se ele próprio  estivesse dentro de uma grande  paisagem.

Esta experiência imaginativa que apela ao seu pensar, ao seu sentir e ao seu querer, o induz a um estado de autoconsciência onde ele pode captar  a própria existência como dinâmica, e pode perceber-se como um ser  em evolução e transformação constantes.

Ao longo do processo, muita coisa que vem à tona  precisa ser investigada.

Tendo a visão panorâmica da biografia como pano de fundo o Aconselhador ajuda o cliente a focar em determinados fatos onde ele vivenciou  medos, dores, raivas,  mágoas, ajudando o cliente a se confrontar, não apenas com os fatos mas também com a vida íntima dos sentimentos.

Tentam juntos, atingir o cerne da dor que permeia a crise em questão para emancipar as forças que foram aprisionadas por determinadas circunstâncias do passado.

Abandono, rejeição, não reconhecimento, falta de oportunidades, predisposições congênitas, predisposições pela educação podem estar  contribuindo para desencadear distúrbios impedindo que a individualidade atue a partir de suas capacidades e continue a desenvolver os seus potenciais.

O Aconselhador Biográfico parte junto com o cliente da sua situação de crise, investiga o passado, mergulha nas alegrias, dores e limitações, mas a meta final do Aconselhamento Biográfico é ajudar a colocar a vida interna e a biografia do cliente em movimento.

De maneira que ele possa voltar a sentir a sua vida fluindo e a dispor das forças do seu Eu, mais consciente do que irá conseguir transformar, com o que vai aprender a conviver ou o que vai se dispor a educar.

Nos passos finais o Aconselhador ajuda o cliente a se perceber como parte de um Todo maior, inserido em um contexto em que outras pessoas participam, conduzindo-o à vivência íntima do que lhe é inato, do que lhe pertence de fato, da compreensão mais aguda de seu destino pessoal.

E esta percepção ampliada de si o torna ativo e criativo em relação ao seu problema.

A meta final do Aconselhamento Biográfico é apoiar o desenvolvimento do cliente, mobilizando as suas forças vitais, as suas capacidades adormecidas, uma maior compreensão e visão de sua própria essência e conseqüentemente  autoconfiança frente aos acontecimentos de sua vida e de sua época.

O Aconselhamento Biográfico ocorre em sessões semanais de uma hora em um período de tempo acordado entre as partes envolvidas.

Origens da fundamentação do Aconselhamento Biográfico

A fundamentação do Aconselhamento Biográfico encontra-se na obra do filósofo austríaco Rudolf Steiner fundador da Antroposofia e autor de uma extensa bibliografia que pode  ser encontrada no site: www.rsarchive.org

Atualmente existem dezenas de títulos em inglês publicados por algumas editoras como por exemplo:

www.rudolfsteinerpress.org (EUA)
Temple Lodge Publishing (England).

No Brasil a www.editoraantroposofica.com.br edita vários livros sobre o assunto de autoria da médica Gudrun Kroekel Burkhard.

O site www.internationaltrainersforum.com  congrega os profissionais e as formações existentes em todos os países nos quais o Aconselhamento Biográfico é realizado em suas diversas modalidades.

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Published in: on novembro 20, 2009 at 2:18 pm  Deixe um comentário  
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